O quadrinista Marcello Quintanilha não guarda memórias positivas do futebol. O esporte era tabu em sua juventude: sem reuniões familiares em torno de partidas, sem incentivo para torcer por algum time. O motivo era a carreira interrompida de seu pai, Hálcio Carneiro Quintanilha, jogador do Canto do Rio Foot-Ball Club, de Niterói, que encerrou a trajetória cedo após uma lesão no fim dos anos 1950 — deixando amargura e ressentimento em todos ao seu redor.
Ainda assim, Quintanilha enxerga no esporte 'um agente capaz de metaforizar quase todos os aspectos da vida'. É essa visão que sustenta 'Eldorado', seu álbum mais recente, descrito como uma peça de um quebra-cabeça pessoal em quadrinhos sobre a formação do Brasil contemporâneo a partir do microcosmo familiar e das desventuras futebolísticas do pai.
“um agente capaz de metaforizar quase todos os aspectos da vida”
